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Onda azul em Washington e o Brasil.

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Por David Batista, economista e especialista em captação de recursos internacionais para projetos de infraestrutura na América Latina.

O Brasil acorda com um Washington mais contido. Os democratas conquistaram a Câmara e o Senado. A partir de janeiro de 2027, Donald Trump governará com um Congresso de oposição.

Pesquisas apontaram aprovação de 38%. No Senado, os democratas viraram sete cadeiras, inclusive no Texas, Ohio e Carolina do Norte.

Para o Brasil, importa o impacto no dólar, nos juros, no comércio e no investidor. Os mercados reagiram com alívio: dólar mais fraco, juros dos títulos em queda e real em alta. O título de 10 anos caiu para 4,93%. No Brasil, o dólar abriu em baixa de 0,52%, a R$ 5,4587. Em setembro chegou a 5,34%, o maior nível desde 2002. Juro alto nos EUA drena capital dos emergentes e força a Selic elevada.

Com o Congresso dividido, fica mais difícil ampliar o déficit americano. Isso reduz a pressão sobre os juros e dá ao Fed espaço para pausar. Se o diferencial de juros parar de crescer, o real ganha fôlego e o Copom passa a ter margem para cortes em 2027.

No comércio, as tarifas seguem nas mãos da Casa Branca. O Congresso ganha poder de pressão, não de revogar sobretaxas. Após a tarifa de 50%, as vendas brasileiras aos EUA caíram 25%. Açúcar, tabaco e carne bovina foram os mais atingidos. Abre-se janela de negociação, mas a palavra final continua com o presidente.

Um governo dividido reduz a aversão ao risco e favorece emergentes. Mas o investidor olha primeiro para o Brasil. Após o segundo turno, o Ibovespa caiu 13,9% e o dólar subiu 7,9%. Sem plano de controle de gastos, o alívio de Washington será engolido pelo risco local.

Até fevereiro, o maior risco está no Estreito de Ormuz. A guerra entre EUA e Irã pode acontecer ou escalar. O Brent fechou a US$ 103,60. Em acordo, o barril pode cair abaixo de US$ 100. No cenário-base, fica entre US$ 100 e US$ 110. Escalada ampla pode levar acima de US$ 120, com choque de diesel, frete e fertilizantes.

Como exportador de petróleo, o Brasil ganha receita. Mas importa diesel e fertilizantes que passam por Ormuz. Isso elevaria a inflação e manteria a Selic alta.

Riscos: paralisia em Washington, mais decretos de Trump, a reunião do Fed e o sinal fiscal brasileiro.

A onda azul é uma notícia moderadamente positiva. Tende a aliviar os juros globais e enfraquecer o dólar. Além de melhorar o clima para renegociar tarifas. Mas é uma janela, não uma virada. O maior determinante do real e da Selic continua sendo a política fiscal brasileira.

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